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Depois deve ser alto,
sem lembrar o frio estilo da palmeira,
.
Moreno sem excesso para que se encontre,
tons de sol de agosto em seus cabelos.,
E nem louro demais para que, de repente,
no olhar cintile algo da cigana pátria adormecida.,
E que tenha mãos grandes, para demorados carinhos,
e adeuses que se retardem ao peso do próprio gesto.,
Pés grandes, também, porque não,
para que os regressos sejam breves,
e haja resistência para as conjuntas caminhadas.,
Os olhos falem, falem sempre, falem,
de amor, de ciúme, de morte ou traição.,
Mas que falem. Porque o homem sem a música dos olhos,
é como sepultura exposta ao sol do meio-dia.,
E que o riso relembre um pouco da infância,
para que se tenha, no fervor do beijo,
uma memória de pitanga e amora esmagadas,
Ah, o corpo! Sucedam alvoradas ao longo do tórax gentil,
e escureça a penugem até o sexo velado.
(Mas não definitivamente.)
E o seu passo lembre a dança, mas com firmeza,
e o seu rastro fale de perfume, sem perfume,
e escorram pausados rios em seus flancos hieráticos.
E que ele cante, sem cantar,
por toda a sua humana contextura,
para que também em torno dele as coisas cantem,
quando, como o primeiro homem,
nu ele se erguer defronte ao mar.
Lucio Cardoso
Fonte e imagem:Presente da amiga Bernadette,pelo orkut...Obrigada!
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